À medida em que a geração distribuída avança, as inúmeras fazendas e propriedades rurais do país ganham um aliado iluminado para reduzir despesas com energia elétrica.

As perspectivas estão cada vez melhores. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, pesquisas apontam que, em até dois anos, o Brasil estará entre os 20 países com maior geração de energia solar no mundo. De acordo com alguns estudos do ministério, até a metade deste século, o Brasil terá 13% de seus domicílios gerando sua própria energia a partir do sol.

Energia solar fotovoltaica

É preciso apontar que, tanto em residências como em empresas, a energia solar pode ser aproveitada de duas maneiras. A primeira, já bastante popular no país, usa o calor do sol para aquecer a água, o que reduz o custo da conta de energia por eliminar o uso dos chuveiros elétricos. A segunda, relativa aos painéis fotovoltaicos, converte a luz do sol em energia elétrica, possibilitando a redução da conta de energia em até 95%.

Geração distribuída

A geração distribuída (GD) é a produção descentralizada de energia no próprio local ou nas proximidades de onde tal energia é consumida. No Brasil, a partir da criação da Resolução Normativa 482/2012 da ANEEL estabeleceu-se o sistema de compensação de energia. Isso possibilitou que cada consumidor de energia passasse a ser um potencial gerador da própria energia. A GD utiliza fontes renováveis de energia, tais como a energia solar, a eólica, a biomassa e a hidráulica.

Por que usar fotovoltaica

Vamos começar abordando um dos principais atrativos dessa fonte renovável: ao contrário dos combustíveis fósseis (ex: petróleo, gás natural, carvão mineral, diesel, gasolina), o processo de geração de energia elétrica a partir do sol não emite gases de efeito estufa. Todos esses gases são poluentes, com efeitos nocivos à saúde e contribuem para o aquecimento global. Uma agenda clara para frear os efeitos da mudança climática foi estabelecida no maior evento sobre o Clima do mundo – a COP21, que aconteceu em novembro de 2015 em Paris. A transição da matriz energética mundial para energia renovável é um dos pilares de um mundo mais sustentável.

A fonte solar é a mais democrática entre todas as fontes renováveis, já que o sol nasce para todos em qualquer lugar do país. O Brasil tem um potencial fantástico para geração solar já que apresenta excelentes índices de irradiação dentro de todo território. A região brasileira que recebe menos sol é 25% melhor que o melhor local da Alemanha, onde existem mais de 1,5 milhão de instalações de sistemas solares fotovoltaicos.

Um sistema fotovoltaico pode ser instalado rapidamente em telhados ou em solo. Os custos de operação e manutenção são muito baixos e envolvem a limpeza dos painéis no período seco de 2 a 3 vezes por ano. Além disso, as garantias dos equipamentos de primeira linha são de 25 anos de geração, o que torna o sistema um investimento seguro e rentável.

O dimensionamento do sistema adequado dependerá da quantidade de energia que deverá ser gerada para atender o percentual desejado de economia na conta de energia. O valor do investimento poderá variar de R$ 15 mil para uma pequena casa a mais de R$ 100 mil para grandes propriedades.

Outro fator que deve ser considerado é o tempo necessário para que a instalação se pague – o chamado retorno do investimento. Para chegar a ele, de maneira simplificada, basta dividir o custo total do sistema pelo valor da economia mensal na conta de luz após a devida instalação, considerando nesse cálculo a variação anual com os reajustes das contas. Atualmente, o retorno do investimento varia entre 5 e 10 anos, de acordo com o valor do projeto, as tarifas praticadas e o potencial de irradiação do local onde o sistema está instalado. Contudo, considerando que o custo da energia vem aumentando significativamente anualmente, como foi o caso de 2015 em que o reajuste médio ficou em 45% no ano, o tempo de retorno fica cada vez menor. Isso torna o investimento ainda mais atrativo para quem vai instalar e para quem já está produzindo a sua própria energia.

Fotovoltaica em propriedades rurais

Mesmo em momentos de crise econômica, o setor do agronegócio tem conseguido se destacar. E um dos segredos é justamente abraçar novas tecnologias que contribuem para o aumento da produtividade, a adoção de boas práticas agropecuárias e de gestão da propriedade rural, e para a inserção competitiva dos produtores rurais nos diferentes mercados consumidores.

Já há exemplos espalhados pelo Brasil de como propriedades rurais estão se beneficiando ao adotarem práticas mais econômicas e sustentáveis, como a energia solar fotovoltaica. Fazendas, independentemente do porte, geralmente contam com galpões para utilidades diversas, como estocagem de material, alimentos, maquinários e animais. Assim, muitos empreendimentos estão instalando projetos fotovoltaicos em coberturas ou em solo, contando com boa radiação solar durante o dia. Dessa forma, propriedades rurais têm um grande aliado na hora de economizar nas contas de energia.

Um sistema conectado à rede poderá atender toda a demanda de energia de uma casa ou propriedade rural, independentemente do tipo de consumo: seja ele um bombeamento, motores, ordenha, iluminação ou aparelhos eletroeletrônicos.

Como começar

O primeiro passo para solicitar um orçamento para instalação dos equipamentos é procurar uma empresa especializada.

A empresa solicitará uma cópia da(s) conta(s) de energia para avaliar o consumo e definirá a área requerida para a instalação dos painéis fotovoltaicos, inversores e outros equipamentos. O orçamento deverá contemplar o fornecimento de todos os equipamentos, instalação e o registro do projeto junto à distribuidora de energia.

Alguns fatores na escolha do fornecedor devem ser observados, sendo os principais:

– Experiência prévia em projetos desse tipo;
– Qualidade dos equipamentos fornecidos / Garantias dos equipamentos e serviços;
– Suporte técnico.

Uma vez que a empresa foi contratada e o sistema esteja instalado, é hora de produzir energia de forma limpa e aproveitar os benefícios por pelo menos 25 anos.

Linhas de financiamento

Alguns bancos já disponibilizam programas de financiamento para a instalação de projetos sustentáveis em empresas e propriedades rurais.

O Banco do Nordeste apresentou recentemente o FNE Sol, destinado a pessoas jurídicas no norte de MG, norte do ES e toda a região Nordeste. Podem ser financiados sistemas fotovoltaicos completos, incluindo instalação com juros subsidiados que variam entre 8,5% a.a e 6,5% a.a., e prazo de pagamento de até 12 anos, com até um ano de carência.

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com a linha Pronaf ECO está disponível para agricultores e pequenos produtores rurais investirem em implantação e utilização de tecnologias de energia renovável. Os juros podem chegar a até 2,5% a.a., prazo de até 10 anos e carência de até 3 anos. Os limites de financiamento são de R$ 165 mil por ano agrícola ou R$ 88 mil por beneficiário.

O Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária – INOVAGRO está disponível à incorporação de inovação tecnológica nas propriedades rurais e financia também sistemas fotovoltaicos. Os juros são de 8,5% a.a, prazo de até 10 anos e carência de até 3 anos. Os limites de financiamento são de R$ 1,1 milhão por cliente, para empreendimento individual, e R$ 3,3 milhões para empreendimento coletivo, respeitado o limite individual por participante.

O número de instalações solares no país cresce exponencialmente desde 2012. As facilidades de crédito, a disseminação da tecnologia entre as pessoas e o imenso potencial solar do país possibilitarão a expansão da geração distribuída fotovoltaica em residências, empresas e propriedades rurais pelo Brasil. O futuro parece brilhante.

Por: Gabriel Guimarães Ferreira. Engenheiro Químico formado pela UFMG.
Alexandre Alves Arcanjo. Engenheiro Mecatrônico formado pela USP.

Fonte: CCPR

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